A Web 2.0 e a Educação
Autores:
André Assis de Melo Neto
Daniel Bianconi Previato
Fernando Aparecido Nogueira
Mariana Moga de Moura E Silva
Paulo Rodrigues da Silva
Sibele Ester Carbone
Daniel Bianconi Previato
Fernando Aparecido Nogueira
Mariana Moga de Moura E Silva
Paulo Rodrigues da Silva
Sibele Ester Carbone
A sociedade em que vivemos não
é mais a mesma de 20 anos atrás. Segundo Cardoso (2005) as sociedades
contemporâneas estão passando por um processo de transição para as chamadas
sociedades em rede. Esse processo é constituído por duas vertentes
aparentemente antagônicas, o individualismo e o comunalismo[1].
Cardoso ainda nos coloca que:
A Internet, em
conjugação com os mass media, ao fornecer os meios tecnológicos para a
socialização do projecto de cada um numa rede de sujeitos similares, torna-se
uma poderosa ferramenta de reconstrução social e não um pretexto para a
desintegração (Cardoso, 2005).
Desta forma, podemos ver uma
mudança no comportamento das pessoas frente a essa realidade para atitudes
colaborativas nas mais diversas áreas. E foi tal mudança de comportamento que
deu origem ao termo Web 2.0.
A Web 2.0 é, portanto, o resultado da evolução e
transformação do modo como a internet é utilizada e do seu poder e alcance na
sociedade.
Segundo Montanaro e Paranhos (s.d.), tal mudança de
comportamento vem sendo sentida desde 2004 e é resultado, não de inovações
tecnológicas, mas do novo modo como os usuários têm utilizado os recursos
tecnológicos já existentes anteriormente. Ainda segundo os autores, a Web 2.0
popularizou aplicativos que utilizam a própria internet como plataforma, os
chamados webwares. Tais aplicativos possibilitam maior interatividade,
são de fácil entendimento para leigos e tornam-se cada vez melhores, quanto
maior for a participação dos usuários. Exemplos mais comuns de webwares são os
blogs, videologs, fotologs, as wikis, os fóruns de discussão, as redes sociais,
os AVAs, etc.
Toda essa interatividade permitiu ao internauta maior
conectividade com o mundo e com praticamente todo conhecimento que nele
existe, além, é claro, de lhe possibilitar a oportunidade de partilhar seu
próprio conhecimento com os demais usuários. A consulta a qualquer assunto por
meio da internet tornou-se muito mais prática e, na maioria das vezes, mais
ampla do que em qualquer outro meio de pesquisa, assim como também é por ela (a
internet) que qualquer divulgação tem maior eficácia no que se refere à
quantidade de pessoas atingidas.
Além disso, a internet, em toda sua potencialidade, pode ser
utilizada em aulas presenciais de escolas regulares, onde o professor faz dela
mais uma ferramenta no seu processo de ensino, tornando a aula mais interessante
e atrativa, além de, muitas vezes, propiciar a inclusão.
Assim como diversas outras temáticas, o aprendizado musical
está amplamente difundido nesse meio, onde muitos músicos e estudantes de
música encontram uma infinidade de material de aprendizado e aprofundamento,
tanto na parte teórica quanto na prática de seu instrumento. Em sites como YouTube
podem ser encontrados vídeos de profissionais que desejam divulgar seu trabalho,
assim como, também, de estudantes que querem compartilhar o que estão
aprendendo, abrindo uma gama muito grande de fontes de conteúdos e também de
interação entre os usuários. Isso sem contar toda a comunicabilidade que as
redes sociais e diferentes aplicativos de comunicação proporcionam, permitindo,
por exemplo, a realização de reuniões e debates reunindo muitas pessoas sem a presença
física, de maneira que os participantes podem estar virtualmente em um mesmo
lugar, apesar de estarem, fisicamente, a milhares de quilômetros de distância
uns dos outros.
Rocha dá exemplos dessas e outras utilizações da internet ao
afirmar que:
Através da Internet, é possível ignorar o espaço físico, conhecer
e conversar com pessoas sem sair de casa, digitar textos com imagens em
movimento (gifs), inserir sons, ver fotos, desenhos, ao mesmo tempo em que
podemos ouvir música, assistir vídeos, fazer compras, estreitar relacionamentos
em comunidades virtuais, participar de bate-papos (chats), consultar o extrato
bancário, pagar contas, ler as últimas notícias em tempo real, enfim, trabalho
e lazer se confundem no cyberespaço (Rocha, 2008).
A seguir, vamos destacar duas ferramentas da internet que têm
promovido a troca de informações e conhecimentos, analisando suas contribuições
para a área da Educação Musical. Uma dessas ferramentas é o blog
e a outra é o site de compartilhamento de vídeos YouTube.
O Blog
O blog é um tipo de webware que está sendo muito explorado e
vem auxiliando a troca de informações e experiências profissionais. Ele tem
sido um instrumento interessante para unir pessoas com interesses em comum,
sendo mais um exemplo de como a colaboração em rede pode auxiliar processos de
educação e profissionalização. Além disso, vale ressaltar que, o que faz do
blog uma tecnologia muito difundida é o fato de se tratar de uma webware de
fácil criação e manuseio. Ou seja, é uma tecnologia acessível para o
leigo em informática.
Trazendo o assunto para a área de interesse da Educação
Musical, podemos analisar, através da navegação por alguns blogs sobre o
assunto, o modo como a webware tem ajudado os profissionais da área, bem como
as diferentes ferramentas empregadas para auxiliar a transmissão do
conhecimento.
Sem dúvida, a principal ferramenta dos blogs é a postagem de
textos, o que por si só já possibilita a troca de muita informação. Porém, o
blog permite também a postagem de vídeos e fotos que podem ilustrar as ideias
do texto, auxiliando o seu entendimento. Um exemplo muito bom é o blog http://mirexmusica.blogspot.com.br/
em que todos os exemplos de atividades musicais são ilustrados com fotos e
vídeos.
Outra questão que chama a atenção em alguns blogs é a
organização das postagens. O blog permite que os textos, vídeos e fotos sejam
organizados por assuntos, datas de postagem e até por quantidade de
visualizações. Isso facilita a navegação, permitindo que o visitante reconheça
rapidamente o tipo de conteúdo que poderá encontrar no blog. Um exemplo disso é
o blog http://cantinhodaem.blogspot.com.br.
Os blogs podem, também, trazer links com conteúdos diversificados.
Um exemplo interessante é o blog http://musicaetecnologia.blogspot.com.br/,
que possui um link sobre educação infantil, em que disponibiliza games
educativos para iniciantes. Em um dos games é possível compor pequenas
melodias; em outro, o estudante treina a leitura das notas na pauta; há também
um game de percepção rítmica, em que a criança deve repetir o padrão rítmico
ouvido utilizando a barra de espaço do computador.
Analisando tamanha diversidade de temas e abordagens, cabe ao
educador musical fazer uma busca por suas áreas de interesse e procurar seguir
os blogs que podem trazer contribuições mais diretas a sua atuação
profissional. É importante também frisar que o blog é uma ferramenta
multidirecional, o que, aliás, é uma característica comum a todas as webwares.
Isso permite que o visitante de um blog deixe seus comentários ao final das
postagens lidas e possa, também, participar de forma ativa, enriquecendo a
postagem e até pedindo maiores informações e esclarecimentos.
O YouTube
YouTube vem do inglês you: você e tube: tubo, ou, no caso,
gíria utilizada para designar a televisão. No caso, you television ficaria algo
como "você televisiona", "você transmite", "você na
telinha", etc., lembrando que, assim como o português, a língua inglesa
permite a criação de verbos com base em substantivos.
YouTube é um site que permite que seus usuários carreguem e
compartilhem vídeos em formato digital. A ideia é idêntica à da televisão,
em que existem vários canais disponíveis. A diferença é que os canais são
criados pelos próprios usuários, onde podem compartilhar vídeos sobre os mais
variados temas.
No YouTube, os vídeos estão disponíveis para qualquer pessoa
que queira assistir e também é possível adicionar comentários sobre o
vídeo. O YouTube hospeda uma imensa quantidade de filmes, documentários,
videoclipes musicais e vídeos caseiros, além de transmissões ao vivo de
eventos.
O YouTube foi fundado e fevereiro de 2004 por Chad Hurley,
Steve Chen e Jawed Karim, três pioneiros do PayPal, um famoso site da internet
ligado à gerenciamento de transferência de fundos. O domínio "youtube.com"
foi ativado em 15 de fevereiro de 2005 e o site foi desenvolvido nos meses
seguintes. Os criadores do site ofereceram uma prévia do site ao público em
Maio de 2005, seis meses antes do lançamento oficial.
Em nove de outubro de 2006, foi anunciado que a companhia
seria comprada pelo Google por 1,65 bilhão de dólares em ações. A aquisição do
YouTube foi fechada em 14 de Novembro de 2006, e foi na época a segunda maior
aquisição do Google.
O YouTube utiliza os formatos Adobe Flash e HTML5 para
disponibilizar o conteúdo. É o mais popular site do tipo (com mais de 50% do
mercado em 2006) devido à possibilidade de hospedar quaisquer vídeos (exceto
materiais protegidos por copyright, apesar de, esses materiais serem
encontrados em abundância no sistema). O YouTube hospeda uma grande variedade
de filmes, videoclipes e materiais caseiros. O material encontrado no YouTube pode
ser disponibilizado em blogs e sites pessoais através de mecanismos (APIs)
desenvolvidos pelo site.
A tecnologia de reprodução dos vídeos do YouTube é baseada no
Adobe Flash Player. Essa tecnologia permite que o site exiba os vídeos com
qualidade comparável a tecnologias mais estabelecidas no mercado (como o
Windows Media Player, QuickTime e RealPlayer). O YouTube aceita o envio de
filmes na maioria dos formatos, incluindo .wmv, .avi, .mov, mpeg, .mp4, DivX,
FLV e .ogg. O site possui suporte a 3GP, permitindo que vídeos sejam enviados
diretamente do celular.
As visualizações diárias são estimadas na casa dos milhões,
já que cerca de trinta milhões de vídeos são vistos diariamente.
Relacionando o tema com a educação musical, creio que o YouTube
é uma das ferramentas mais “revolucionárias”, úteis e utilizadas nos últimos
anos para a troca de conhecimentos na área de música, seja como fonte de
pesquisa para atividades musicais, palestras sobre educação musical, jogos
musicais, construção de instrumentos com materiais alternativos e recicláveis,
para podermos conhecer uma música, um artista, para podermos aprender ou
ampliar nossos conhecimentos em um determinado instrumento, enfim é uma grande
fonte de pesquisa e também uma grande ferramenta para divulgação de trabalho,
seja ele ainda amador, ou profissional, para troca de informações, etc.
Conclusão
Diante de todas essas
possibilidades de utilização da internet para a Educação Musical, podemos, mais
uma vez, confirmar que a Web 2.0 é uma ferramenta muito importante para o
educador e este deve, portanto, procurar fazer parte desta rede de informações,
não só agindo passivamente, mas sendo um contribuinte, compartilhando
informações, experiências e materiais. Afinal, esta é a principal
característica da sociedade em rede: quem a constrói são os próprios usuários.
[1]
Para Cardoso, individualismo é significação da conclusão dos projetos
individuais enquanto que comunalismo seria a significação dos valores
internalizados de um coletivo.
Referências
MONTANARO,
P.R.; PARANHOS, A.G; Livro Eletrônico: Web 2.0. Disponível em http://ead2.sead.ufscar.br/mod/book/view.php?id=56515
Acesso em 15 de agosto de 2014.
BRASIL.
Ministério da Educação e Secretaria de Educação a Distância – SEED.
Informações e Comunicações: Tecnologias a serviço da educação e da
inclusão. Brasília: SEED, 2004.
CARDOSO,
Gustavo. Sociedades em Transição para a Sociedade em Rede. In:______ A
Sociedade em Rede: Do Conhecimento à Acção Política. Belém. Mar.
2005.Conferência promovida pelo Presidente da República.
ROCHA,
S. S. D. O uso do computador na educação: a informática educativa. In:______ Revista
Espaço Acadêmico - nº 85. jun. 2008. Disponível em: http://www.espacoacademico.com.br/085/85rocha.htm
<http://www.significados.com.br/youtube/>>;
acessado em 30 de Agosto de 2014.
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