segunda-feira, 1 de setembro de 2014

                                                      A Web 2.0 e a Educação

Autores:
André Assis de Melo Neto
Daniel Bianconi Previato
Fernando Aparecido Nogueira
Mariana Moga de Moura E Silva
Paulo Rodrigues da Silva
Sibele Ester Carbone 
         
              
                 A sociedade em que vivemos não é mais a mesma de 20 anos atrás. Segundo Cardoso (2005) as sociedades contemporâneas estão passando por um processo de transição para as chamadas sociedades em rede. Esse processo é constituído por duas vertentes aparentemente antagônicas, o individualismo e o comunalismo[1]. Cardoso ainda nos coloca que:

          A Internet, em conjugação com os mass media, ao fornecer os meios tecnológicos para a socialização do projecto de cada um numa rede de sujeitos similares, torna-se uma poderosa ferramenta de reconstrução social e não um pretexto para a desintegração (Cardoso, 2005).
             
              Desta forma, podemos ver uma mudança no comportamento das pessoas frente a essa realidade para atitudes colaborativas nas mais diversas áreas. E foi tal mudança de comportamento que deu origem ao termo Web 2.0.
A Web 2.0 é, portanto, o resultado da evolução e transformação do modo como a internet é utilizada e do seu poder e alcance na sociedade.
Segundo Montanaro e Paranhos (s.d.), tal mudança de comportamento vem sendo sentida desde 2004 e é resultado, não de inovações tecnológicas, mas do novo modo como os usuários têm utilizado os recursos tecnológicos já existentes anteriormente. Ainda segundo os autores, a Web 2.0 popularizou aplicativos que utilizam a própria internet como plataforma, os chamados webwares. Tais aplicativos possibilitam maior interatividade, são de fácil entendimento para leigos e tornam-se cada vez melhores, quanto maior for a participação dos usuários. Exemplos mais comuns de webwares são os blogs, videologs, fotologs, as wikis, os fóruns de discussão, as redes sociais, os AVAs, etc.
Toda essa interatividade permitiu ao internauta maior conectividade com o mundo e com praticamente todo conhecimento que nele existe, além, é claro, de lhe possibilitar a oportunidade de partilhar seu próprio conhecimento com os demais usuários. A consulta a qualquer assunto por meio da internet tornou-se muito mais prática e, na maioria das vezes, mais ampla do que em qualquer outro meio de pesquisa, assim como também é por ela (a internet) que qualquer divulgação tem maior eficácia no que se refere à quantidade de pessoas atingidas. 
Além disso, a internet, em toda sua potencialidade, pode ser utilizada em aulas presenciais de escolas regulares, onde o professor faz dela mais uma ferramenta no seu processo de ensino, tornando a aula mais interessante e atrativa, além de, muitas vezes, propiciar a inclusão. 
Assim como diversas outras temáticas, o aprendizado musical está amplamente difundido nesse meio, onde muitos músicos e estudantes de música encontram uma infinidade de material de aprendizado e aprofundamento, tanto na parte teórica quanto na prática de seu instrumento. Em sites como YouTube podem ser encontrados vídeos de profissionais que desejam divulgar seu trabalho, assim como, também, de estudantes que querem compartilhar o que estão aprendendo, abrindo uma gama muito grande de fontes de conteúdos e também de interação entre os usuários. Isso sem contar toda a comunicabilidade que as redes sociais e diferentes aplicativos de comunicação proporcionam, permitindo, por exemplo, a realização de reuniões e debates reunindo muitas pessoas sem a presença física, de maneira que os participantes podem estar virtualmente em um mesmo lugar, apesar de estarem, fisicamente, a milhares de quilômetros de distância uns dos outros.
Rocha dá exemplos dessas e outras utilizações da internet ao afirmar que:

Através da Internet, é possível ignorar o espaço físico, conhecer e conversar com pessoas sem sair de casa, digitar textos com imagens em movimento (gifs), inserir sons, ver fotos, desenhos, ao mesmo tempo em que podemos ouvir música, assistir vídeos, fazer compras, estreitar relacionamentos em comunidades virtuais, participar de bate-papos (chats), consultar o extrato bancário, pagar contas, ler as últimas notícias em tempo real, enfim, trabalho e lazer se confundem no cyberespaço (Rocha, 2008).  

A seguir, vamos destacar duas ferramentas da internet que têm promovido a troca de informações e conhecimentos, analisando suas contribuições para a área da Educação Musical. Uma dessas ferramentas é o blog e a outra é o site de compartilhamento de vídeos YouTube.

O Blog

O blog é um tipo de webware que está sendo muito explorado e vem auxiliando a troca de informações e experiências profissionais. Ele tem sido um instrumento interessante para unir pessoas com interesses em comum, sendo mais um exemplo de como a colaboração em rede pode auxiliar processos de educação e profissionalização. Além disso, vale ressaltar que, o que faz do blog uma tecnologia muito difundida é o fato de se tratar de uma webware de fácil criação e manuseio. Ou seja, é uma tecnologia  acessível para o leigo em informática.
Trazendo o assunto para a área de interesse da Educação Musical, podemos analisar, através da navegação por alguns blogs sobre o assunto, o modo como a webware tem ajudado os profissionais da área, bem como as diferentes ferramentas empregadas para auxiliar a transmissão do conhecimento.
Sem dúvida, a principal ferramenta dos blogs é a postagem de textos, o que por si só já possibilita a troca de muita informação. Porém, o blog permite também a postagem de vídeos e fotos que podem ilustrar as ideias do texto, auxiliando o seu entendimento. Um exemplo muito bom é o blog http://mirexmusica.blogspot.com.br/ em que todos os exemplos de atividades musicais são ilustrados com fotos e vídeos.
Outra questão que chama a atenção em alguns blogs é a organização das postagens. O blog permite que os textos, vídeos e fotos sejam organizados por assuntos, datas de postagem e até por quantidade de visualizações. Isso facilita a navegação, permitindo que o visitante reconheça rapidamente o tipo de conteúdo que poderá encontrar no blog. Um exemplo disso é o blog http://cantinhodaem.blogspot.com.br.
Os blogs podem, também, trazer links com conteúdos diversificados. Um exemplo interessante é o blog http://musicaetecnologia.blogspot.com.br/, que possui um link sobre educação infantil, em que disponibiliza games educativos para iniciantes. Em um dos games é possível compor pequenas melodias; em outro, o estudante treina a leitura das notas na pauta; há também um game de percepção rítmica, em que a criança deve repetir o padrão rítmico ouvido utilizando a barra de espaço do computador.  
Analisando tamanha diversidade de temas e abordagens, cabe ao educador musical fazer uma busca por suas áreas de interesse e procurar seguir os blogs que podem trazer contribuições mais diretas a sua atuação profissional. É importante também frisar que o blog é uma ferramenta multidirecional, o que, aliás, é uma característica comum a todas as webwares. Isso permite que o visitante de um blog deixe seus comentários ao final das postagens lidas e possa, também, participar de forma ativa, enriquecendo a postagem e até pedindo maiores informações e esclarecimentos.

O YouTube

YouTube vem do inglês you: você e tube: tubo, ou, no caso, gíria utilizada para designar a televisão. No caso, you television ficaria algo como "você televisiona", "você transmite", "você na telinha", etc., lembrando que, assim como o português, a língua inglesa permite a criação de verbos com base em substantivos.
YouTube é um site que permite que seus usuários carreguem e compartilhem vídeos em formato digital. A ideia é idêntica à da televisão, em que existem vários canais disponíveis. A diferença é que os canais são criados pelos próprios usuários, onde podem compartilhar vídeos sobre os mais variados temas.
No YouTube, os vídeos estão disponíveis para qualquer pessoa que queira assistir e também é possível adicionar comentários sobre o vídeo. O YouTube hospeda uma imensa quantidade de filmes, documentários, videoclipes musicais e vídeos caseiros, além de transmissões ao vivo de eventos.
O YouTube foi fundado e fevereiro de 2004 por Chad Hurley, Steve Chen e Jawed Karim, três pioneiros do PayPal, um famoso site da internet ligado à gerenciamento de transferência de fundos. O domínio "youtube.com" foi ativado em 15 de fevereiro de 2005 e o site foi desenvolvido nos meses seguintes. Os criadores do site ofereceram uma prévia do site ao público em Maio de 2005, seis meses antes do lançamento oficial.
Em nove de outubro de 2006, foi anunciado que a companhia seria comprada pelo Google por 1,65 bilhão de dólares em ações. A aquisição do YouTube foi fechada em 14 de Novembro de 2006, e foi na época a segunda maior aquisição do Google.
O YouTube utiliza os formatos Adobe Flash e HTML5 para disponibilizar o conteúdo. É o mais popular site do tipo (com mais de 50% do mercado em 2006) devido à possibilidade de hospedar quaisquer vídeos (exceto materiais protegidos por copyright, apesar de, esses materiais serem encontrados em abundância no sistema). O YouTube hospeda uma grande variedade de filmes, videoclipes e materiais caseiros. O material encontrado no YouTube pode ser disponibilizado em blogs e sites pessoais através de mecanismos (APIs) desenvolvidos pelo site.
A tecnologia de reprodução dos vídeos do YouTube é baseada no Adobe Flash Player. Essa tecnologia permite que o site exiba os vídeos com qualidade comparável a tecnologias mais estabelecidas no mercado (como o Windows Media Player, QuickTime e RealPlayer). O YouTube aceita o envio de filmes na maioria dos formatos, incluindo .wmv, .avi, .mov, mpeg, .mp4, DivX, FLV e .ogg. O site possui suporte a 3GP, permitindo que vídeos sejam enviados diretamente do celular.
As visualizações diárias são estimadas na casa dos milhões, já que cerca de trinta milhões de vídeos são vistos diariamente.
Relacionando o tema com a educação musical, creio que o YouTube é uma das ferramentas mais “revolucionárias”, úteis e utilizadas nos últimos anos para a troca de conhecimentos na área de música, seja como fonte de pesquisa para atividades musicais, palestras sobre educação musical, jogos musicais, construção de instrumentos com materiais alternativos e recicláveis, para podermos conhecer uma música, um artista, para podermos aprender ou ampliar nossos conhecimentos em um determinado instrumento, enfim é uma grande fonte de pesquisa e também uma grande ferramenta para divulgação de trabalho, seja ele ainda amador, ou profissional, para troca de informações, etc.

Conclusão

Diante de todas essas possibilidades de utilização da internet para a Educação Musical, podemos, mais uma vez, confirmar que a Web 2.0 é uma ferramenta muito importante para o educador e este deve, portanto, procurar fazer parte desta rede de informações, não só agindo passivamente, mas sendo um contribuinte, compartilhando informações, experiências e materiais. Afinal, esta é a principal característica da sociedade em rede: quem a constrói são os próprios usuários.

 [1] Para Cardoso, individualismo é significação da conclusão dos projetos individuais enquanto que comunalismo seria a significação dos valores internalizados de um coletivo.

Referências

MONTANARO, P.R.; PARANHOS, A.G; Livro Eletrônico: Web 2.0. Disponível em http://ead2.sead.ufscar.br/mod/book/view.php?id=56515 Acesso em 15 de agosto de 2014.
BRASIL. Ministério da Educação e Secretaria de Educação a Distância – SEED. Informações e Comunicações: Tecnologias a serviço da educação e da inclusão. Brasília: SEED, 2004.
CARDOSO, Gustavo. Sociedades em Transição para a Sociedade em Rede. In:______ A Sociedade em Rede: Do Conhecimento à Acção Política. Belém. Mar. 2005.Conferência promovida pelo Presidente da República.
 ROCHA, S. S. D. O uso do computador na educação: a informática educativa. In:______ Revista Espaço Acadêmico - nº 85. jun. 2008. Disponível em: http://www.espacoacademico.com.br/085/85rocha.htm
<http://www.significados.com.br/youtube/&gt>; acessado em 30 de Agosto de 2014.



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